quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Belo és tu, sorriso psicodélico!

A penumbra do meu quarto aconchega o meu sono. Embora a tormenta de medo ainda ocupe metade dos meus pensamentos, eu tenho direito de deitar. Entre bocejos, ouço bem ao fundo do cômodo o tocar sereno e triste do violino -Música clássica, um bom gosto adquirido- Digo em voz baixa. Aos poucos o som diminuía e diminuía. Lentamente ergo a bandeira branca para sono, quando ouço batidas na porta , chamando-me pelo nome. Sonolento, não reconheci o timbre da voz que me chama. Imaginei ser minha filha com medo de outro pesadelo. Provavelmente esta querendo um lugar seguro junto a mim como de costume, reclamando do meu colchão: - Duro como pedra – Dizia sempre rindo.
Volto à atenção.De olhos entreabertos, preguiçosamente sigo em direção da porta cambaleando e batendo nos móveis. Ouço novamente um estrondo forte me fazendo ficar ainda mais arredio. Percebo que algo está fora do normal, não vejo sombra aos pés da porta. Não vejo ninguém. Sinto um frio percorrendo a espinha quando uma densa bruma que se infiltrava no vão da porta de madeira.O barulho aumenta a cada passo dado.Face a face . Desencorajado balbucio uma oração para girar o trinco. Posiciono minhas mãos trêmulas na maçaneta, e instantaneamente tudo silenciou. Comecei a ter dificuldade para respirar, pois a adrenalina circulava como um autorama no meu corpo. Era desesperador e frio. Então abro a porta, e vorazmente sou lançado ao piso num exorbitante clarão. Um brilho embriagante de inúmeras combinações de cores invadiu, passeou com velocidade toda a extensão do meu quarto a procura de um ponto para aterrissar. Então sem tempo de reação o brilho me acertou no peito iluminando por entre a colcha de ódio que domestico com medo e rancor. A própria colcha que me há meses escondo-me feito criança com medo do escuro. E nesta invasão de luzir, sou banhado por virtuosas pérolas, junto a frases minuciosamente ditas a mim; Compostas de pureza e perdão, coragem e luz. Uma cura psicodélica aconteceu, pois sorria novamente.

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